quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Andanças

"Me diga, como você pode 
Viver indo embora, 
Sem se despedaçar?
Por favor me diga agora! 
Ou será
Que você nem quer perceber?
Talvez você seja feliz sem saber."

Será que eu nem quero perceber que talvez eu seja feliz sem saber? Eu sei que sou. Mas hoje, ao ouvir esta música com mais atenção, percebi que eu vivo indo embora e nunca parei pra pensar quantos pedaços ficaram pra trás, como me reconstruí. Como me reconstruir?
Se nunca pensei, não é justo dizer que, nunca me perguntaram ou se preocuparam com minhas mudanças, com o impacto que tiveram sobre mim.
Não parar pra pensar, não me preocupar... Eu sei, é técnica de defesa. Se parar, consigo encontrar várias partes do quebra-cabeça Aline e reconstruir. Mas pra reconstruir tudo é preciso desconstruir tudo e não me sinto preparada para isso.

O certo que é que sim, me despedaço sempre. Morro para ir e é outra morte pra voltar. Morro inúmeras vezes na dúvida, no receio... E o que bem me mata é saber que indo ou vindo, caí na rede da dependência. Dependo sempre de alguém. Não há mais delícia alguma em arriscar. Acabaram-se as paixões. Faltou inspiração...

Agora, com os planos para o ano que vem, acho que abro mão de tudo. Me desvencilho. Me desvinculo. Sumo! Subo!
Se for pra ser, será lindo! Se for pra ser, será libertador! Será Amor, será Paz, será Culto, será Rico, será Utópico, será Feliz!
Não que eu seja sozinha mas eu sou de fases... Acabou o período do lugar, tenho que partir. Tenho que sair. Essa é a minha essência! Tempo demais no mesmo lugar, mata uma Aline. 

onde estavas, lugar?
em que chão, em que ar?
onde fostes depois de me abandonar?

onde estavas, manhã?
em que céu, em que mar?
onde fostes depois de me apaixonar?

por que veio se foi
para ir, por que foi
que você me deixou tão sozinho?

por que não demorou
mais um um pouco e deixou
que eu achasse de novo o caminho?

não devias partir
como podes partir?
por que não duraste a vida inteira?

se apenas em ti
alegria senti
ao mirar tua luz derradeira

É isso. Prazo de validade - venceu. Agora que encontrei o caminho, entendo parte do meu descaminho. Não me desconstruí, ufa! Mas não quer dizer que esteja inteira. Me despedacei. Sei dos riscos, dos traumas, do que foi subtraído ou somado. E acho que minha vida toda será bem assim, de idas e vindas, de lugar nenhum.

Se partir, levarei saudades da Augusta - lugarzinho mágico para os boêmios, onde todas as noites são surpresas deliciosas de se ter! Levo saudades das Usp que também tem sua magia, embora, ultimamente, mesmo com seu ar puro, tenha sido sufocante! Levo saudades do Ibira, do MIS, do CCBB, dos cines, dos shoppings, do Villa, do trem, da marginal. Das pontes, do cinza, do Mundano, do Largo 13, da Guarapiranga. Das comidinhas, dos confortos, do caos, do urbano-barroco do centro velho ao centro novo. Mas mais do que as memórias olfativas, visuais, dos sabores... Levarei saudades da gente, dos amigos, das pessoas, das relações e relacionamentos. Das histórias vividas e ouvidas. Das experiências e experimentações em conjunto. Mas saudade a gente mata! =)

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