Olha, não para de chover denúncias de minas que sofrem assédio no transporte! É no trem, no bus, no metrô, no táxi, no uber, no cabify, no 99... Tá um puta saco isso!
E pior é que ainda existe diferenciação pra assédio. Tem aquele assédio 'aceitável' (como se a gente já tivesse a obrigação de conviver com isso porque é natural do homem se esfregar na gente, tocar, apalpar, falar coisas obscenas e tal) e aquele que não é aceitável porque aí já fere a dignidade alheia né? Tipo, ninguém gosta de ver mulher machucada, homem nenhum gosta de saber que sua mulher foi estuprada, é muito nojento ver uma mulher suja de gozo de um tarado - esses que são visivelmente desagradáveis acabam sendo combatíveis.
Fico horrorizada com isso. Os outros definem o que é aceitável pra você. E a gente se fode porque tem que aceitar que é só um assediozinho, vai! Se fosse um assediozão que causasse nojinho ou peninha nos transeuntes ao redor, aí vc tem o direito de reclamar e fazer um escândalo. Do contrário, fica calada e para de se achar porque toda mulher passa por isso e não sai fazendo barraco, atrasando, atrapalhando a vida do outro! - é bem isso! e feminismo pra que né? e não existe machismo não.
Isso eu já acho um porre.
Daí outra questão dentro dessa macro-esfera do assédio, indo pro outro lado, aquele que tem que ser gritado e os caras acham que castrar o cara é o melhor mesmo sem pensar que pra existir a penalidade de castração, o filho da puta precisou assediar 'gravemente' uma mulher. E assim, mesmo com castração química - digamos que foi aceito isso - ainda vai existir estupro e eu acredito que tem muito a ver com transtorno mental e que o cara vai estuprar com pau, com dedo, com o que tiver pra saciar seu desejo psicopata mesmo que lhe tenham tirado o pinto. Ou seja, é cada 'eficácia' que o povo arruma...
Dentro ainda desse lance mais grave do assédio que se torna estupro, atentado violento e tal, faço minhas observações distante, sem assumir lugar de fala e sem propriedade para discutir com as manas é a questão da denúncia.
As vezes parece que a questão da denúncia de violência contra a mulher, no processo formal, só cabe a parcela pobre e preta. Aquela que tem exame de corpo de delito, constrangimento, enfrentamento direto com policiais machistas, julgamentos, preconceitos, humilhação - só cabe a parte das mulheres que fica a margem. Que é encorajada a ir na delegacia por campanhas de globais, que é estimulada pela história contada na novela que é parecida com a sua no barraco, que vem de campanhas virais na internet...
A outra parcela da sociedade, elite, branca, empoderada, politizada pode se dar ao luxo de não passar por este processo, gritar nas redes sociais, virar mártir, criar hashtag, dar entrevista...
E aí o meu lado matemático (apesar de ser de humanas eu sou de gêmeos né? rsrs) que transforma tudo em estatística (porque meu entendimento matemático se resume a bhaskara e regra de 3) fica refletindo: se o que entra pras estatísticas são os casos registrados e se a partir dos casos registrados que temos então dados documentados passíveis de cobranças e ações (lembrando sempre que estou falando de como funciona burocraticamente e não falando como deveria funcionar com burocracias a parte e maior valor ao depoimento da vítima onde quer que fosse) porque raios a gente tem que defender que tá ok a pessoa não deununciar na delegacia e denunciar no Facebook?
<peguei este texto pra terminar depois e não li desde o começo pra puxar linha de raciocínio porque eu sei que já perdi grande parte do que queria dizer - sempre acontece quando não escrevo um texto de uma vez>
Então a mulher famosa berra no Facebook. E berra que não vai a delegacia porque o cara sabe onde ela mora e bla bla bla. Denuncia uma empresa mas não denuncia o abusador, não dá pistas de como o cara é, não vai a delegacia porque 'a dor é dela'... E aí eu acho meio nada a ver isso porque o meu feminismo grita que, somos nós por nós e se uma mulher precisa MUITO de leis que a protejam, essa
burlada nas estatísticas fode!
E aí vai pra novela berrar que a única forma da negra da favela vencer o macho abusivo é denunciando na delegacia e se sujeitando a toda humilhação.
Sei lá.
Acho que a gente tem que se entender como estatística. E tem que entender que não tem que burlar lei. Tem que fazer as coisas do jeito certo porque o que é certo pra uma é certo pra todas e não é porque o cara lá na delegacia vai ser filho da puta que a gente tem que evitar. A luta não é fácil. A luta não é bloguezinho, textão de Facebook, fotinha dramaqueen.
E aquela coisa que não entendo: vc n quer se submeter a humilhação na delegacia mas se submete a humilhação de virar viral e ter trocentos caras tipo o delegado te xingando. Vc perde o controle de quantos tipo delegados vc tai enfrentar, cara!
E denuncia sem dar nomes aos bois?? Enfim... acho errado. Posso mudar meu pensamento mais pra frente, se conseguir entender de outra forma. Mas a princípio acho erradão!
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