segunda-feira, 15 de agosto de 2016

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Meu, como é difícil vc ser uma pessoa pública no mundo! Cruzes!

Não, não estou falando de mim. rsrsrs
Eu, graças a Deus sigo no anonimato... "Eu vejo tudo e ninguém me vê".

Mas é um saco isso! Ninguém conhece UM atleta olímpico maaaas chegam as Olimpíadas e você tem que lidar com comentários de pessoas nada a ver, falando do caráter, do desempenho da pessoa.
Da vergonha que ela é para o país, para os pais... que porre isso!

Tivemos um ouro de uma guria que foi chamada de vergonha para os pais. De macaca. E agora, ao invés da gente melhorar como ser humano, não! A gente pega essa informação e usa de comparativo com outrxs atletas que não ganharam ouro ou não medalharam. A gente passa a achar que outras pessoas precisam ser a vergonha da nação e para a família. A gente acha que precisa chamar outras pessoas de macacxs e coisas horríveis assim. A gente não evoluiu em nada. Trocamos a pessoa a quem queremos escorraçar. Somos maus, somos ruins, somos preconceituosos, somos invejosos, somos acomodados.

Preferimos olhar detalhadamente para cada defeito das pessoas para termos do que acusá-las ao invés de olhar para os defeitos a melhorar em nós mesmos.

O guri da olímpica que ganhou bronze é o novo judas malhado da vez. O guri errou no passado. Pagou um preço um tanto quanto caro pelo erro. Por ser um jovem racista. Hoje, o mesmo guri que ele maltratou no passado é um grande amigo. Sinal de que foi perdoado - ao meu ver. Sinal de que se aprendeu com o erro. Mas a gente gosta de pisar, de desmerecer. Daí vão lá atrás e vasculham este passado do guri. O trazem a tona. Nem ligam com o restante do episódio. Aquele capítulo exato, aquele minuto em que ele erra é massificado. E daí é como se não existisse a possibilidade de errar e aprender. É errar e ser julgado. É errar e ser amaldiçoado, perseguido por esse erro até o fim da vida!

Foi assim também com a lindona da Joanna Maranhão. Ela ainda pior porque a Joanna tem as costas largas, ela aguenta! Ela se afirmou politizada! Não pode! Esportista não pode estudar e nem querer saber de política. Não pode ser gratx a um governo que a ajuda. Atleta tem que dar os 110% de si. Fazer bonito no teu esporte. Se começa a abrir demais as asinhas... aí já viu! Ela, que nem teve tantos olhos em cima dela nas provas que competiu passa a ser julgada por cada passo que dá. Pelo que é dentro e fora da piscina. E cada vacilo é um orgasmo de quem persegue.

Os tempos são outros. E vejo que, estudiosos terão, cada vez mais, dificuldades para conseguir elaborar estudos precisos sobre as tendências que regem a sociedade pois as mudanças acontecem a todo instante e a sociedade que era de um jeito passa a agir de outra forma... na semana seguinte já está em voga outra questão...

Tivemos o momento em que tudo era liberado e problema das minorias preconceituadas e difamadas amplamente. O português, a loira, o preto, o viado... Presentes em diversas piadas, quadros de humor...
Um grupo social, digamos assim, que devia saber lidar com o ódio disfarçado de humor - sim, tinha muito ódio disfarçado de humor - sem reclamar, chorar, adoecer, morrer por isso. E assim, muita gente não pode ser o que sempre foi para 'não dar pinta', não ser maltratado, não virar piada.

Depois vivemos um momento em que acordamos (graças a Deus!!!) para a situação do preconceito embutido no humor, no dia-a-dia. O momento em que o politicamente correto acabou com o humor, para uns. Que se criminalizou o racismo, gritou por criminalizar também homofobia e começamos a ver outras formas de preconceito e a gravidade, a maneira como isso expunha as pessoas ao ridículo sem a menor necessidade e como isso constrange.
Nesse momento, algumas pessoas tiveram que engolir seu preconceito, guardar o seu mau/humor num poço beeem fundo dentro de si ou, para as pessoas mais elevadas, evoluir. Mudar seu comportamento.

Pois bem. Acredito que, este momento que vivíamos com o preconceito velado pode-se dizer que, tratava ainda de um período de Aldeia Global (McLuhan) e, tivemos a transição, em que o ódio e o preconceito são vistos, categorizados, alguns criminalizados. Daí, pousamos na Galáxia da Internet (Castells).
Este momento é complicadíssimo. Acredito que nascemos com o bem e de mal dentro de nós. Da nossa criação, convívio, cultura vamos alimentando, dentro de nós, mais um do que o outro. Nos tornado pessoas boas e pessoas más. Como existem N classificações para essa bondade e essa maldade, não vou aprofundar nisso e dizer que uma pessoa má, é 100% má do dedinho do pé ao fio do cabelo, da mesma forma a pessoa boa. Fosse assim, teríamos seres humanos perfeitos, exemplos fáceis de serem seguidos, etc... Mas cometemos erros, deslizes... a medida que vamos nos lapidando.
Acontece que esse ódio todo que ficou guardado, precisa sair. Ódio guardado faz muito mal para quem o guarda. E neste período de Galáxia da Internet vamos encontrar lugar para vomitar todo esse ódio.
Como não se pode vociferar contra um determinado grupo racial, gênero, etnia, minoria... criou-se (falo daqui do Brasil) um ódio por uma representação disso tudo. Existe um termo nos estudos de comunicação a respeito dessa representatividade mas não me recordo. Enfim, dentro da política, sempre há aquele partido ligado, defensor das minorias. Normalmente um grupo, dito representante da esquerda. Geralmente inofensivo. Até chegar a altas esferas do poder. O ódio então migra de direção e passa a se 'politizar'. Aqui tivemos uma ascensão do PT. E tivemos a estabilidade do PT com as reeleições. Apesar de ser bastante crítica com a forma como o PT angaria votos e acredito que já falei sobre isso no passado aqui no blog, com o PT tivemos um nível de desigualdade bem menor do que nos governos anteriores então entenda, se vc odeia uma minoria, guarda esse ódio (este período vem também com o início do governo petista que enalteceu as minorias, deu voz e força a elas e assim, abafou o ódio) e vê essa minoria ganhando mais força do que o seu movimento, você potencializa esse seu ódio. E é muito ódio dentro de vc. Ele precisa sair dali. Então você encontra no PT e na esquerda política toda essa representatividade das minorias que você tanto odeia. Você não tem conhecimento nem familiaridade com a política. Nunca se importou mas você precisar de um lugar fora de si para o teu ódio e a internet te possibilita isso. Dela você recebe informações de outros grupos de ódio se formando. Nela vc percebe que 'vc n é o único, n está louco e ainda pode conseguir recuperar a ordem' e a partir dela começam a surgir grupos de ódios partidários que, na verdade, concentram em si, o ódio a um conjunto de minorias representado ali. Aí você muda. Ao invés de querer tirar chacota com piadas velhas, vc troca a piada pelo discurso. Afinal, estamos politizados.
Vc muda o humor pelo combate a corrupção. Fica mais bonito. Parece mais justo, não? Afinal, é bem idiota vc estar gritando pelo direito de fazer piada com a cara dos outros mas nada mais é do que isso.

O teu desespero por fazer piada com a cara dos outros te fez criar ódio por determinadas minorias e por consequência te fez também odiar um partido político sem muita razão de ser desse ódio.

Essa Galáxia da Internet é um veneno pois ela alimenta o ódio. Ela traz legitimadores deste ódio. Ela cria movimentos deste ódio. Ela leva até vc motivos pra vc odiar. E ela prende.
Ela te prende a este tipo de informação. A um grupo específico de pessoas. -> pra isso também tem um nome que eu acho que é do Pierre Levy mas também não lembro.

Enfim, ela te deixa com conhecimento limitado, embora te traga N fontes para que você ache que conhece realmente alguma coisa. Ela não abre o teu leque de opções e nem te apresenta outros pontos de vista. Isso é muito perigoso.

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