O abuso psicológico, acredito eu, é o mais comum nas relações abusivas.
Tenho lido bastante a respeito de relacionamento abusivo favorecido por diferença de idade. Entendo das possibilidades.
E realmente existe muito disso de 'ser mais madura doq as gurias da tua idade' mas no meu caso, eu que estava naquela loucura do 'namorar um cara mais velho' - n sei se fica clara a diferença.
Explicando: existe aquela fantasia que o outro impõem sobre a gente com essa ideia de que ele nos selecionou porque somos mais maduras do que as gurias outras da nossa idade. E existe também a fantasia que a gente coloca pra si, nessa de que 'uuuuh, o cara mais velho gosta de mim... não sou mais guria que fica com moleques'... 'Tende?
Eu fantasiei muito a relação e tinha muito receio de ser a criança, a ingênua e tals. Pesando contra isso ainda tínhamos uma professora que, a fim dele, colocava todas as nossas diferenças em voga. Me colocando sempre como a 'fadinha, ninfetinha, guriazinha que deveria ser pra diversão e n levada a sério' e aquela coisa de não parecer tão provinciana, me adaptando a vida cosmopolita que eu encontrara fora da cidadezinha onde morava.
Tinha muito medo de perdê-lo. Já gostava demais dele quando as relações de abuso começaram - pq até então n considero abuso essa parte em que eu fantasiava a vida perfeita com ele - mas aí, a troca de repertório que ele disse se interessar no começo, nunca saiu do mundo das ideias.
Enquanto eu me dispunha a conhecer todas as referências, lugares, paixões, gostos dele... ele só adiava o encontro com meu mundo. Eu aceitava porque eu tinha sim muito medo de perdê-lo. E achava que uma hora ía! - Nunca foi! rsrs
Depois começaram os pitacos sobre o modo de vida dos guris que moravam comigo. Da várzea.
Sinceramente, eu me dava bem com a várzea. As vezes me emputecia mas depois ficava deboas.
E, além da troca de repertório nunca acontecer, do desgaste que eu tive com meus amigos porque ele achava tudo muito várzea e eu acatava a todas contestações dele começaram as cobranças do tipo: vc está entrando demais no meu mundo, na minha vida! Estou me sentindo sufocado!
Então Aline começa a perder a linha. Ele me afasta de tudo que era meu. Me coloca tudo que era dele e... Depois quer me tirar disso tudo, sobrando o que pra menina besta? Nothing!
Aaaah mas aí então foi vc que foi trouxa que se permitiu deixar levar demais! Nem foi abuso assim do cara, pôxa! Pé-rá-lá! rsrs
Existiu um desequilíbrio enorme aí de imaturidade da minha parte e de imaturidade da parte dele também. O que permitiu que alguém se sobreposse a outro alguém. O que com certeza acontece porque a garota ingênua vai permitir e o rapaz mais velho, que poderia aceitar a troca de repertório como disse que o faria, simplesmente não aceita e também se submete a essa sobreposição na relação.
Daí começaram as traições e as hostilizações porque eu tinha engordado e tals que eu já disse antes aqui no blog.
Outra questão muito importante nesse Abuso Psicológico, é a atribuição de culpas e uma auto-desresponsabilização. A pessoa já fragilizada por ter sofrido horrores com a tal traição (vale agregar a perda de identidade dita lá em cima? Vale! Vale também agregar a questão de que a primeira traição foi com a professora dita lá em cima também? Vale! Vale também dizer que a pessoa que sofreu a traição estava com sintomas de depressão e síndrome do pânico porém ainda fragilizada com uma possível suspeita de lúpus? Ah sim, vale!) tem que lidar com essas questões e assumir uma culpabilidade embutida ferozmente pois se ela estava 'mórbida, sombria, deprimida, desanimada, uma confusão em forma de gente' - claro que a culpa de ter sido traída era dela! - Assim foi jogado na cara dela todas as vezes. Assim ela aceitou a culpa todas as vezes. E isso só piorou o quadro depressivo.
A frieza com as traições foi tanta que até amigos tentaram conversar com o cara e tentar ver porque ele fazia, porque ele não terminava e como ele se sentia a respeito. Ele simplesmente não dizia. Não sentia.
Só que pra mim, ele se fazia completamente pesaroso de tudo o que fez - embora a culpa fosse minha.
E nunca faria de novo. Tendo o feito na verdade, 7x. =/
Bom, não vou falar mais.Tem muito mais coisa mas não vou falar mais. Só sei que isso é complicado. Pra quem está de fora, não consegue entender o tamanho do transtorno que isso causa e pra quem está dentro, até sair, é difícil enxergar também.
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