sábado, 14 de novembro de 2015

E minha e eu assumo

Eu não sei bem como começar mas o certo que eu fiquei muito dependente deste relacionamento por estas questões de gostar demais dele. De ver nele a figura masculina de alguém que me queria inteiramente e me assumia e, aí vinha a parte insana da minha mente que fazia crer que as traições eram vacilos porque ele realmente gostava de mim mas diante das minhas mancadas de ficar interte e doente e sem emprego e causar climão com a família dele, eu merecia ser traída. Ele precisava de descanso de mim.

Louca! Mas era assim que minha cabeça funcionava. Eu gostava demais dele e achava que ele gostava demais de mim. Mas como era sobre-humano me aturar, eu aceitava que ele me traísse. Só que como isso doía e foi se acumulando, comecei a criar essa personalidade abusiva dentro de mim. Porque, trair ok mas a repetição já era patifaria -> repito, dentro da minha cabeça louca era assim que funcionava, eu sei que é loucura, tá!

Então, juntando a parte da paranoia que me fazia fuçar a vida dele toda, a todo momento, em todos os dispositivos e aplicativos, e meios de comunicação a ver o que ele tinha na mochila... Eu também ficava criando tensões. Tipo, a cada hora que uma traição doía - fosse de ter descoberto naquela hora ou então de simplesmente ter lembrado, eu ía lá atazanar a vida dele. Jogar na cara, falar um monte... acessos de raiva mesmo - eu sei que eu fazia isso porque eu nunca entendia mesmo esse lance de repetições e da falta de critérios pra escolher alguém com quem ele me traísse. Eu me sentia lixo por ser traída e por ver as criaturas que ele escolhia pra me trair, que só Jesus na causa. Uma e outra que até deu pra entender que eram bonitas e tal mas as outras... Xêssús!

E eu achava muito injusto eu estar doente e ele não entender. Eu estar doente e ele me trair. Eu estar doente e ele não se fazer presente...
E quando ele falava que eu tinha entrado demais no mundo dele, que o sufocava... Tb achava injusto porque pra mim, tinha ficado bem claro que ele quis assim. Ele não permitiu ser de outro jeito no começo por conta das trocas de repertório que ele nunca permitiu porque ele nunca teve tempo pra isso maaaas pra me trair com a sapa véia da facul ele teve tempo. Entende a conveniência dos tempos? Isso me deixava maluca!

E eu fui ficando louca e mais louca e sentindo culpa sobre culpa e gostando demais dele e tentando sair do mar da depressão sem conseguir fôlego e sem apoio da parte dele também que se preocupava em pagar meu tratamento - já era o bastante. Ele não tinha tempo para me acompanhar em nada. Mas ele teve tempo para repetir as traições...

E eu começava a ver o mundo assim: eu sem ele era a mesma coisa que eu sem ninguém no mundo e isso me assustava muito! Então apesar do sofrimento eu queria ficar com ele porque ele era meu porto-seguro!
E eu não admitiria perder meu porto seguro!
Aí entram aquelas características abusivas de controle, domínio, pressão psicológica, perseguição... Tudo isso esteve em mim sim. Eu quis controlar os horários dele, eu quis ter domínio sobre ele, eu quis que ele visse minha doença e como me afetava e o forçava sempre a enxergar isso, eu comecei a fuçar tudo dele pra descobrir possíveis traições e sempre descobria. Eu virei um demônio. Um comportamento que nunca tive com ninguém. E nem havia tido com ele porque ele podia deitar e rolar sempre. Ele podia ir aos shows de rock sozinho. Ele podia ir para os passeios que queria ir com os amigos. Ele podia fazer mil e uma coisas que eu não desconfiava, não atazanava. Até descobrir que ele abusava da minha boa vontade.

Nisso eu também achei que o erro era meu. Eu tinha sido liberal demais! Eu não tinha ciúmes como a ex que até arrancava sangue dele!
Ciúmes, nos meus relacionamentos sempre foi uma coisa muito light!
Imagina o que seria de mim quando o meu primeiro namorado foi estudar em Rio Preto e eu fiquei morando em Minas e só o via de 15 em 15 dias, num sábado ou num domingo, num período de umas 4h juntos, no máximo!
Sabendo que ele tava lá, morando com amigos solteiros e saindo direto com amigas solteiras.
Eu não ligava! Ele falava de uma amiga que adora Couting Crows e levou os discos dela emprestados pra eu ouvir e eu gostei. Cara, eu nunca tive estes transtornos que eu tive com esse meu ex!

E eu morando em Sampa, namorando o outro ex lá por 8 meses! A gente se encontrava só quando eu ia pra lá passar algum dia de final de semana, de feriado, que dava! Olha que loucura isso! Nem parece que é a mesma pessoa! A Aline do Pedro, do Lu e a Aline desse ex! rsrs
Mas cara, eu aprendi cedo que era pra ser assim. Que era pra deixar livre. Que era pra ser leve!

E na minha pior fase como ser humano eu me transformei nisso aí. Nessa criatura que perdia sono, perdia humor, perdia cabelo, perdia dias, perdia conferências do meio ambiente e participações no clipe da Tiê -  e que clipe hein? Vc n vale nada mas eu gosto de vc! rsrsrs ô ironia do destino! - eu fiz isso. Eu prendi. Eu tentei me matar - mas era de querer morrer mesmo, não era balela não. Tanto que das vezes que tentei me matar, normalmente eu não avisava porque eu não queria que fosse evitável. Só que eu sei que isso de falar de suicídio dentro de um relacionamento gera uma coisa doida na cabeça do outro né? Se eu largo ela, ela se mata! E eu conheço casos de gente que realmente se matou.

Então eu fui ruim também. A única justiça que me cabe, que eu vejo é que, eu fui ruim por reflexo. Ele diz que também foi em reflexo da minha inércia mas... Vamos combinar que depressão não chama inércia né?
Vamos combinar que ele viu que eu tentava. Que eu fui atrás de tratamento. Que eu quis melhorar sim. E agora melhorei.
Ele não sabe lidar. Não soube. Nunca soube. E agiu da pior maneira. Isso não tem o que justifique.

E abuso, em qualquer circunstância, não há o que justifique. Nem o meu, nem o dele.
Eu fui uma diaba de ruim, nesse lance de abuso. Era choro, gritaria, insônia... quebrei coisas, fugi de casa, tentei agradar, tentei ser melhor, tentei fazer ciúmes com um amigo mais velho que conheci no Facebook. Tentei falar com as gurias. A guria do cine foi bem humilhante pra ele porque ele não esperava tamanha civilidade das duas partes. Ele tá acostumado mesmo com o que veio depois - a ralé. - a quenga barraqueira que estragou minha vida nesse período e depois ele ainda põe de volta na vida e eu brigo e ele manda embora e agora separadas mas fingindo respeito e amizade, ele vai e me bota a quenga na vida de novo... Desisti de viver! rsrsrsrs

Desisti de viver essa vida vulgar aí... Aqui as coisas vão bem. Consigo até mesmo assumir meu lado podre.
Só que eu me refaço. E é uma delícia refazer e voltar a ser o que eu era antes - desde o peso do corpo ao peso da consciência:
  LEVE COMO LEVE PLUMA MUITO LEVE LEVE POUSA

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