sábado, 14 de novembro de 2015

E vc achou que eu não iria evoluir?

Pois é! Vc pensou que eu fosse difamar meu ex até umas horas sem falar um NADA de mim, certo?

Bom, vamos as correções primeiras: difamar é quando alguém faz algo e vc mente o caráter da pessoa, certo? Neste caso então, não estou difamando. É tudo verdade.

Maaaas....

Claro que não vai ficar nisso! Pois, dentro do meu coração, eu sinto que já posso assumir a parcela de culpa que me cabe e falar do Relacionamento Abusivo Inverso =)
Explico: por muuuuito tempo - dentro do relacionamento e um tempo depois que terminamos também - eu assumi todas as culpas de todos os erros no relacionamento. Culpa essa que eu criava já pela minha própria criação; culpa essa que se acentua por conta da depressão; culpa essa que ele imputava covardemente em mim também.

Sabe o que isso acarretou? Muitas sessões perdidas de terapia porque eu estava presa as culpas! Eu estava perdida num mar de culpa do qual eu não conseguia sair e aí as coisas só pioravam porque quando se está perdido no mar, sem esperança de pisar terra firme de novo, a única saída que se vê é morrer ali, logo! Então, vc deixa o mar te engolir. E mergulha. E se afunda. E morre.
A depressão quer isso de vc, que vc deixe ela te engolir. Que vc mergulhe nela, se afunde cada vez mais e morra ali!

Então, depois que eu me libertei da bendita culpa - um processo que demorou uma cara - eu consegui olhar os malfeitos dele e como isso me afetava. E aí foi a parte que comecei a melhorar e a ter mais força sobre o meu quadro depressivo. Foi aí que eu comecei a ter uma leve noção do que era abusivo, do que era machismo, do que era injusto, do que era inversão de valores, do que era dissimulação, do que era frieza, do que era sadismo, do que era essa escravidão do desejo na vida dele, do que era esse preenchimento de vazios que ele tem... Enfim, depois que eu consegui me libertar eu comecei a ver o que me prendia. E consegui pegar desde o começo, quando foi que eu mudei, o que me fez mudar e tal... Já expliquei mil vezes aqui como foi esse processo, não vou repetir.

Só que agora já estamos distante um do outro. Já estamos fora da zona de conflito. Já estamos livres de indisposições e possíveis recaídas de fragilidades depressivas. Confesso que o que tenho mais medo na vida é de cair de novo na depressão ou, pior ainda, no pânico.
Eu sei que é muito horrível o que vou dizer mas eu gostaria que ele experimentasse essas sensações uma vez na vida para saber do quão complicado a vida se torna e o tanto que ele complicou mais com as atitudes que ele tomou perante a minha doença. Ou perante nada! Em função de seus desejos e preenchimentos de vazios. Porque a questão doença ele só via como algo simples - toma remédio, faz tratamento e cura! - se demora, se o remédio tá errado, se o tratamento começa a ter efeitos colaterais... isso não era o esperado por ele então ele simplesmente rejeita e não lida com essas tantas possibilidades.

Bom, agora, como eu disse que já sinto que posso dizer da relação inversa de abuso e, como eu sempre disse pra ele que entramos num relacionamento completamente tóxico e abusivo dos dois lados e acho que ele não entende isso direito e até agora eu sempre expunha o meu lado passivo do abuso, acho que acabei por piorar as coisas pra que ele enxergasse como eu vejo O TODO.

Vou tentar!

Eu sei que ele pensa 'vitimismo' quando eu falo da doença. E ele só entenderia se estivesse do lado de cá. Isso eu acho brilhante na depressão! Vc cria uma compreensão e tolerância muito grande sobre as outras pessoas. Principalmente sobre os outros depressivos ou doentes de transtornos mentais, pessoas que passam por momentos de stress. - ele sabe que eu, no relacionamento, presei demais a qualidade de vida dele e anulei mil coisas para que ele descansasse. Eu sempre estava pensando no cansaço dele por ele ter 2 empregos sempre. Eu sempre procurava fazer as outras coisas por ele mas chegou uma hora que eu não estava mais conseguindo. Foi quando adoeci. Sem saber ainda. E nisso de não saber mas não conseguir retomar a vida de antes e impactar na qualidade de vida dele, no cansaço dele... isso criava aquela culpa do tamanho do mundo sobre as minhas costas.
Então eu não reconhecia aquilo como doença. Eu jamais pensaria aquilo como depressão. E com essa dificuldade para significar as coisas eu não falei que havia algo errado mas por certo que havia.
Surgiram os problemas com a família dele. E eu comecei a sentir vergonha do problema que estava causando na família dele. Do outro lado, eu me desestruturava totalmente. Perdia emprego e me sentia péssima por ele assumir minhas contas. Mas também sentia vergonha de dizer com todas as letras e não sabia bem o que fazer porque se ele não assumisse, o que me restava?
Daí moramos juntos e entramos nessa parte em que eu fico completamente vulnerável a maldade da professora com quem ele me traiu tempos depois e acabou por agravar a situação de vulnerabilidade e insegurança sobre mim que eu tinha. Para ser satisfatória a ele, comecei a fazer tudo do jeito dele. Conhecer os lugares dele, as coisas dele. E gostar. Moramos separados mas depois voltamos a morar juntos de novo e nesse tempo que passamos separados senti muita a falta dele. Era como um vício já. Eu tinha necessidade de estar com ele, de dormir com ele. De vê-lo todos os dias.

Enquanto ele decolava em sua carreira - a que a gente se formou - eu estava em empregos medíocres que ele insistia em lembrar que eram medíocres.
Eu me sentia mal por estar em empregos medíocres e isso começava a me afetar nas empresas porque eu já não sentia o menor gosto por trabalhar com o que trabalhava mais.
Tudo aquilo que ele criticava vinha com um peso enorme pra cima de mim e martelava na minha cabeça. me sentia péssima. Agradá-lo virou uma obsessão.
Afinal, ele era incrível! Ele quis a mim! Ele estava pagando minhas contas e não reclamava ou jogava na cara! Ele era bom demais pra mim! Eu tinha que retribuir isso. Eu tinha que parar de mimimi.
Só que eu não conseguindo um emprego legal, eu tendo esses problemas com a família dele e aí ele já tinha me traído com a professora também... Nossa! Como eu me sentia inferiorizada e tinha que correr atrás disso tudo para mantê-lo. Para fazê-lo feliz. Fazê-lo ter orgulho de mim. Porque é lógico que ele me traiu porque eu tava fubanga desse jeito, enrolada na vida e levando problema pra ele. Quem aguenta isso??

E o escarcéu que eu aprontei quando descobri da traição dele com a professora? Ali quebrou toda a confiança que eu tinha nele e comecei a ficar paranóica. A ex-cunhada dele me disse que a irmã dela desconfiava muito dessa relação dele com essa professora mas como ele me fez acreditar que a guria era louca, eu achava que ela era louca. Até porque, até eu descobrir, eu jamais aceitaria que ele tinha me traído com aquilo. Até porque eu conheci muitos caras que tiveram essa situação de assédio da parte dela e NENHUM se submeteu. Caras mais feios. Caras mais bonitos. Ninguém se submeteu. Só ele. Caras com namoradas mais legais, mais feias, mais bonitas, mais chatas do que eu e justo eu fui a trocada pela professora velha, barangosa, louca, tarada, ridícula, drogada, bêbada e feia que nem o cão. Ele quis isso. Ninguém quis. Só ele.
Quem se sente lixo depois disso, levanta a mão! o/

Ele me prometeu que não aconteceu nada mas a confiança se quebrou. Fiquei pior. Fingi pra ele e pra mim mesma que nada aconteceu mas no fundo, isso de saber q ele tinha comido aquela 'sapa nojenta' e tinha ido atrás daquilo foi me consumindo e me apodrecendo.
Daí o corpo começou a falar por si. Começaram as dores. Começaram os enrijecimentos e os problemas de digestão - gastrite, acidez, refluxo - que me deixaram mais vulnerável do que eu já estava e pra piorar vieram as hipóteses diagnósticas apocalipticas.

Aí eu me vali da doença. Aí me vitimizei. Aí já não tinha mais forças pra negar que algo estava errado mas ainda assim, escolhi não falar. Não incomodá-lo. Não tomar o que ele tinha de mais precioso, na época: tempo! Era tão raro que não valia a pena, fazê-lo gastar tempo com discussões, com coisas que eu ainda não tinha definido em mim para expor pra ele. Me calei diante disso.

Veio a outra traição. Esperneei. Ele não fez absolutamente NADA. Não pediu desculpa. Não disse que estava errado. Não fez nada. Quando tentaram falar com ele, ele não falava absolutamente nada. Os amigos estranharam nenhum esboço de remorso, culpa, arrependimento! - Ele que, até então, não tinha um histórico de vacilo ou traição das ex's. Pelo menos não que os amigos soubessem.
Escutei dele que não dava mais. Que ele tinha feito aquilo porque estava sentindo que eu estava me aproveitando dele. Que não sabia bem o que queria. Achava que não queria ficar preso a um relacionamento sério assim e não sabia se gostava de mim como antes. Que eu não fazia por onde...
Imagina, vc se sentindo já como a aproveitadora que bagunça a família dos outros, com essa sensação de culpa que te persegue descobre que o teu namorado te traiu porque vc estava inerte. E porque enfiaram essa maldade na cabeça dele de que eu estava me aproveitando. Eu estava, como já disse lá em cima, entregue ao mar e me afogando! Não era de me aproveitar! Era de estar perdida!

Como um golpe de sorte, consegui arrancar os melhores elogios da banca da minha monografia mas estava sem saco para falar, apresentar o trabalho também. Vi que ele gostou. Sentiu orgulho.
E daí veio a usp. Eu queria que ele sentisse orgulho também e não entendi o que aconteceu quando ele me traiu de novo. O filme que eu queria ver pra comemorar a entrada na usp. Uma amenizada nesse período tenso de dores e perdas e diagnósticos ruins e ele disse que não poderia porque ia trabalhar. Eu aceitei. Sempre coloquei ele e o trabalho dele a frente de tudo de mim. Mas na verdade, ele foi no cinema. O filme que eu queria. Com outra garota. E quando ele foi tentar galantear, eu vi que ele não só me negou como ele simplesmente me apagou. Nem havia o que negar na vida dele. Eu ñ estava lá. Ele era solteiro. Morava sozinho. Sofria as vezes com a solidão. Parecia essas cartas que ouvimos em rádio am de tiozões procurando 'uma companheira', sabe?
Foi uma punhalada na alma! Aí começou de fato a paranóia. Ver celular, ver email, ver redes sociais. Me atentar as conversas com os outros e por aí foi. Aí eu virei um monstro. Aí eu dei lado pra insanidade e foi aí que começou o meu abuso, eu acho.

+continua noutro post q agora vou arrumar a cama para eu dormir

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