terça-feira, 17 de novembro de 2015

Faltou ser justa [e vai ficar grande]

Sabe aquela coisa de dois pesos e duas medidas?

Bom, preciso ser justa...
Tem aqueles episódios na vida da gente que a gente sabe que não deveriam ter existido, tem vergonha de dizer e finge que apaga mas sabe que foi a maior mancada ever, a maior perda de dignidade ever, a maior bobagem que poderia ter feito e... pois é, vamos falar disso.

Bom, vai parecer estranho, contra-senso e até hipocrisia mas eu o traí também. :OOOO
Estávamos em crise. A casa estava em reforma. Pedi para um casal de amigos se poderia me hospedar na casa deles. Já tinha acontecido algumas traições da parte dele, eu já estava em tratamento para a depressão - com o neurologista - fazendo terapia com a psicolouca...
Pra vc ver como minha vida tava bem doida! Meu tratamento com o neuro era com um remédio de tarja preta que não fazia taaanto efeito quanto os que vim a tomar depois com o psiqui. E meu neuro falava que não tinha problema em ingerir bebida alcoólica e tomar o remédio desde que não fosse desmedido.
Avisei meu ex que meus amigos tinham liberado a casa deles pra eu ir pra lá e ele entendeu que nós iríamos pra lá. Fomos. Lá nem dormíamos juntos. Nem tinha como. Para mim, para quem perguntasse se estávamos juntos, naquele momento, eu dizia que não. E com sinceridade, ainda completava: Não sei o que ele quer. Ele não fala. E desse jeito assim me traindo e tal, não dá pra falar que a gente tá junto, não dá pra ficar junto. - para quem quer que fosse.
Nessa situação bagunçada (no limbo de moradia, no limbo do tratamento, no limbo do relacionamento) e com o 'mental' completamente prejudicado, morar com estes amigos foi bem estressante! Acabei me dedicando MUITO a cuidar do filho deles. Foi a melhor parte dessa vivência.

Desse período juntos numa mesma casa, acabei me aproximando demais do meu amigo. E adquirindo uma raiva gigantesca dessa amiga - já não é mais amiga. E víamos traços muito parecidos entre minha amiga e meu ex. Tipo, eu e meu amigo com a cabeça e valores super parecidos e meu ex e a ex dele com valores e cabeça super 'desestruturada' - ao nosso ver. E a gente ficava meio que nesse limbo de relacionamentos, trocando confidências e dores e meio que ainda gostando dos nossos ex's que na época ainda estavam em nossas vidas. A ex dele, ainda como namorada/esposa. Meu ex, como eu expliquei, naquele limbo que ele me deixava.

Ficar naquela casa, naquele clima estava me matando! Ficar na presença do meu ex sem saber ao certo o que éramos e ainda gostando dele, sem poder saber se podia perguntar, se fazia sentido querer ser alguém na vida dele, se eu era alguém na vida dele... Enfim, eu tinha conseguido um lugar para 'ficarmos' que não fosse tão longe quanto a casa da mãe dele.
Mas o certo é que eu realmente não sabia o que tínhamos e estávamos distantes. Ele ía para a casa da mãe e eu não ía. Ele mantinha uma rotina sem mim.
A gente não estava alinhado mais. Quis ver um festival de música e ele também quis. Fomos. Choveu bastante, foi um Deus nos acuda. Ele foi bem de qualquer jeito. Eu me arrumei toda. Meu amigo me elogiou e ainda disse que ele estava de qualquer jeito. Ele não ligou. Há muito tempo que ele sequer conseguia tecer um elogio a mim e isso só piorava as coisas tb.
Um adendo: qd vc está depressiva, vc fica tão sensível e tão mimimenta. Ele mesmo sabia que eu me colocava a chorar e me sentir inútil por coisas pequenas. Lembro uma vez que eu estava me sentindo péssima e fiz algo, ele criticou de brincadeira. Eu chorei tanto! E ele me consolava dizendo que eu estava muito sensível, muito intensa, que não era aquilo, que não era pra tanto, que eu estava vendo problema onde não tinha, me punindo e exigindo demais de mim de uma coisa muito pequena. Então, como eu sempre digo, as coisas na mente de uma pessoa depressiva tem um peso muito maior do que realmente pesam na vida de pessoas sem transtornos mentais.
No dia seguinte, fomos novamente ao festival. Aí ele me elogiou. Pelo meu senso de localização pois fizemos o caminho do meu jeito e conseguimos chegar rápido. Fiquei feliz. Nesse dia, também fiquei bêbada, quase sem controle, eufórica. Bem feliz. =)

Parecia que estávamos bem. Mas ele não falou nada. Nos dias depois disso, ele não disse nada. E tudo continuou igual. Nada melhorou. E a dúvida sobre nós ainda pairava na minha cabeça. Eu não perguntava porque também não me sentia a vontade para isso. Na minha cabeça ele quem tinha que dizer como estávamos, o que éramos... Porque foi ele quem desandou tudo e me colocou nesse limbo, Sem pertencer a parte alguma. Marcada e destruída.

E num outro final de semana eu fiz a merda toda! Saí com um amigo. Meu ex nunca podia sair comigo. Por conta do trabalho. Por conta das traições... Nunca podia.
Era um show que eu queria muito ver. Rafael Castro no Studio SP! Era perfeito! Eu adorava Rafael e adorava o Studio. Bebi bastante. Fiquei louca. TREZE! Ficamos até o show acabar. E já estava toda enturmada com outras gurias, conversando com Tatá Aeroplano e o Boldo me chamou pra um after no apê de n sei quem. Saí conversando com o Boldo e as gurias. Não me recordo muito do que falávamos. Lembro que estava eufórica, elétrica. Lembro que fumei maconha. Não lembro se usei outra droga além de alcool e maconha. Tomei muita cerveja, marguerita... Na saída, encontramos outros guris e não me lembro desta parte. Daí que eu me lembro, estávamos num carro, eu, as gurias e não lembro mais quem. Chegamos no prédio. Subimos de elevador, se não me engano. Era uma cobertura duplex. Não cheguei a subir as escadas do apê. Lembro que era grande. Com muita janela. Já estava de manhã ou o prédio na frente era branco. Tinha uma mesa grande. N lembro se era mesa, pebolim, pingue-pongue, sinuca... era uma mesa grande. Tomei wiskhy (n sei escrever isso) e joguei video game lá. Usei o banheiro. Não sei se tinha algo no whisky porque era do copo de alguém. Com certeza devia ter alguma coisa mas não sabia. Meu amigo foi com a gente para o apê mas não lembro direito.
Do apê tenho pequenos flashes, tipo... Estava sentada no sofá - não lembro o percurso que fiz e de repente estava sentada numa cadeira, conversando na mesa. N lembro do percurso nem quantas vezes e nem se fui sozinha ao banheiro. Lembro que tinha sempre cerveja na minha mão mas não lembro de pegar ou se alguém me dava. Lembro que joguei alguma coisa na mesa mas não lembro o que era. Lembro que tinha um garoto estranho e sozinho tocando violão e sentado no chão. Depois fiquei sabendo que era o Phill Veras.

Sabe, esses meus episódios junkies ainda não tem muito sentido para mim porque eu me perco e as vezes parece que estou lúcida mas não tenho memórias e tenho apagões... Sei lá.
Por exemplo, do dia que tomei ácido, não lembro de quase nada do real, só da viagem. E do frio.
Tinha bebido pra caramba tb nesse dia. E o guri disse q eu tava deboas, que as vezes eu simplesmente apagava de olho aberto que nem piscava, pupilas dilatadas... E que falava que não estava bem. Não conseguia falar direito mas falava que precisava de algum doce, de glicose - isso me parece muito lúcido, não? Só que eu não lembro! Por isso que não me conformo com estes episódios e não aceito que sejam irracionais. ! Há um quê de racionalidade. Mas é tão estranho e parece ser conveniente, ter apagões, ter amnésias, ter perda de sentidos...

Bom, voltando ao pesadelo...
Fomos para lá no carro do guri. Lembro de ter conversado com ele lá no apê mas n lembro o que conversamos.
Quando estávamos todos sentados ao redor da mesa, o Rolo falava de suas tatuagens. N me lembro o que mas o assunto era esse e ele disse que tinha tatuagem de flores na bunda. Eu apostei que não tinha. Que se tivesse, eu passaria o final de semana na casa do guri que estava do meu lado. Nessa hora, podia ser qualquer pessoa. Não era Um Guri Escolhido. Alguém com quem eu estivesse ficando ou coisa assim. Foi de loucura mesmo. Eu estava segura de que ele mentia mas ele se virou, abaixou a roupa e mostrou flores na bunda. Na hora me dei conta que tinha feito uma grande merda. E tava todo mundo na mesa.

Antes disso, meu ex tinha me ligado e perguntado se estava tudo bem. Ele disse que eu falei que estava esperando amanhecer mas já tinha amanhecido. Acho que eu falei que estava num apê de não sei quem ou coisa assim. Disse q me achou eufórica, ficou preocupado, mas deixou.

Saí de lá com o guri. Fomos na casa dos meus amigos - o que também me faz crer que apesar de estar um pouco pra lá dos meus sentidos, eu ainda estava em mim porque soube guiar o guri até lá. E 'lá' era longe pra caramba de onde estávamos. Acho que estávamos no centro. Quase certeza.
Peguei umas coisas e avisei que passaria o final de semana fora. A ex do meu amigo disse que não me via alegre daquele jeito há muito tempo.
Fui com o guri para a cidade dele. Interior de SP. E lá se foi comigo qualquer minima possibilidade de reatar com meu ex, toda minha dignidade, e meus valores. =/
Não me lembro do que ocorreu mas acabei que passei mais dias do que o final de semana. Meu celular quase nunca pegava lá. E eu preferi ficar louca todos os dias que fiquei lá do que ter algum episódio de sanidade e arrependimento como uma criança. Até porque já não teria para onde voltar se batesse o arrependimento. Voltaria fisicamente para a casa dos meus amigos mas voltaria para quem? Entende?
N era hora de ficar sã. Depois disso, se pudesse escolher a morte ou a loucura à voltar a normalidade, sem dúvida que escolheria.
N é só de arrependimento. É muito maior do que qualquer arrependimento. É a coisa mais nojenta, insana, irresponsável, suja, podre que eu fiz comigo, que eu fiz com meu ex - que depois ainda disse que achou que estávamos bem e que não imaginava que eu pudesse ter feito isso.

Eu sei da irresponsabilidade.
Eu sei que eu não avise.
Eu sei que eu não liguei.
Eu sei que o deixei preocupado.
E dizer que eu sinto muito, é muito pouco.
Pedir desculpa foi também muito pouco.
Falar que não faria de novo não bastaria - embora eu nunca mais tenha feito algo nem perto disso.
Nada daria jeito. Nada consertaria.

E dentro de mim também.
Nada faz esquecer.
Nada que me orgulhe ou que valha a pena lembrar mas agora é parte de mim, da minha história e foi muito mais do que um deslize.
Nada de mim, é tão penoso, tão dolorido, tão nojento quanto isso.

E de saldo final: negativo.
Não foi nada bom. Não valeu a pena. Não ganhei pessoas marcantes para minha vida por isso.
Não foi nada que me fizesse mudar e ser melhor do que eu sou ou que contribuiu para que eu fosse melhor. Quer dizer, se é pra ter um pouco de otimismo, conheci Joe Sacco. Se é pra ter um pouco mais de otimismo, eu experimentei uma dor e uma vergonha que jamais na vida iria imaginar. Do peso que não dá pra calcular então vale como experiência de vida.
De qualquer forma, tenho certeza de que eu conheceria Joe Sacco de outra forma e essa experiência... n queria ter experimentado jamais. Não queria ter causado tal experimentação. Sempre foi contra meus valores e minha visão de mundo... Então, mesmo com todo otimismo que alguém queria dar a isso... não. Não valeu de nada. Não foi bom.

Não queria essa marca pra minha vida, jamais.

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