Acordou com os olhos inchados de tanto chorar. Ardiam. Precisou fazer uma força gigantesca pra conseguir levantar.
Não queria ficar na cama. Não queria ir trabalhar. Se viu perdida.
Um passado que nunca existiu. Um afeto que achou que existia, de pessoas que, na verdade, nunca estiveram realmente 'lá'.
Os olhos ardem. A cabeça dói. O corpo pesa. As costas doem. Sobre os ombros parece que sente o peso do mundo. O mundo que desabou sobre ela.
É complicado lidar com o 'after' de uma crise de ansiedade, seguida de uma crise de pânico, provocada por um banho de água fria nos sentimentos. A crise de ansiedade corrói o cérebro, dá cansaço mental extremo e desencadeia descargas gigantescas de energia. Ora essa energia vai para o lado dark do cérebro e se torna uma melancolia com crises de choro e sentimento de solidão infinitas. Ora se transforma em euforia, energia pra faxinar umas três casas mas é uma energia que circula só na mente, o corpo não obedece. O corpo não sente esse 'prazer' por estar agitado. Na verdade, o corpo se cansa da mente produtiva extrema. E o cansaço mental dessa descarga louca de agitação também é gigante!
Já da crise de pânico... tempos que ela não tinha! Pânico é uma coisa horrível!
Apesar das crises de ansiedade serem completamente antagônicas ela prefere morrer de ansiedade a ter UMA crise de pânico sequer!
A ansiedade vc sente, consegue perceber pra que lado ela vai te atormentar e, desistindo de tudo, se jogando na cama e dormindo, ela vai embora uma hora.
O pânico atormenta de uma forma que é devastadora e que, por isso paralisa e por paralisar vc n consegue dominar e nem sabe qual rumo tomar, o que ele vai desencadear. Pânico é pânico! Quando as pessoas entram em pânico num incêndio de um prédio, elas, por pânico se jogam! Não há o que explicar. Vc falar que a pessoa fez essa loucura porque entrou em pânico já é aceitável.
Agora como fazer aceitar que tal pessoa entrou em pânico de uma hora para outra? Sem incêndio, sem onça, sem nada que atemorize??? E para a pessoa também não é fácil porque se vc entra em pânico por causa do fogo, da onça, de algo ali, que signifique uma ameaça - existe a figura de algo, o que torna aquele pânico compreensível, direcionado e, ela tendo tempo para analisar, consegue, sair da situação de pânico e salvar sua vida. E quando não há o que figurar? Quando não existe a ameaça te tocando ali, partindo pra cima de você? Como vc vai parar, analisar e se livrar dessa ameaça? Entende?
E quando a crise de pânico vem depois de todo o desgaste psicológico e mental de uma crise de ansiedade?
Existe alguma forma de se colocar na postura de analisador da situação? Não há sanidade mental que ature!
Ela mal sente os braços, os dedos que digitam todo o trabalho que tem a fazer hoje. Por dentro sente um tremor irritante. Nas pernas, nos braços...
Ela buscou desesperadamente pelos raios do Sol pra receber a energia que o corpo já não tem e nem tem vontade de produzir por si só.
Agora que reparou que nem brincos colocou hoje. Pensou em recorrer a um óculos de sol antes de sair mas como disse, ela estava em busca desesperada pelos raios de Sol que hoje também não estão com tamanha vontade de brilhar.
Buscou consolo em outras pessoas. Uns disseram para não se atormentar pelos fantasmas do passado.
Outros dizem que é tudo invenção. Aquele mimimi de amiga que vimos no Ele Não Está Tão A Fim De Você - de tentar te fazer acreditar em uma furada que você enquanto apaixonada até sente cômodo de acreditar. No fundo, no fundo, não acredita. Mas é mais gostoso pensar assim.
E quando n existe mais paixão? Quando se trata de romantizar o passado? Fica na cara que não há ao que recorrer e essas fantasias das amigas perdem sua eficácia.
É uma situação bem humilhante. Degradante, diria.
Fica melhor tê-lo covarde do que tê-lo monstro pois assim já não existem respostas a serem cobradas. Compreendidas.
O mundo é feito de monstros, falsos, covardes e gente boa. Cada vez mais ela vê que está se cercando de gente boa. Estão ficando poucxs. Gente de longe está reaparecendo. Deve ser algo bom.
Da crise de pânico de ontem, se viu obrigada a negar qualquer auxílio. Se viu unicamente dela e responsável por qualquer coisa que acontecesse ali, enquanto transtornada.
Precisou ter uma crise de pânico para ver que de um jeito doido, conseguiu driblar a tal crise de pânico e, apesar da tristeza que persiste pela manhã, Do choro incontrolável... De sentir isso que é inconsolável, degradante, humilhante... Não aconteceu de querer se matar.
Já é uma vitória, em visto de tudo que foi dito, de tudo que feriu. De tudo que passou.
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